18 de novembro de 2007

Homeminhoca

Forçando seu corpo
Esticando suas células
Subindo nos galhos
Espreitando as nuvens

Estão as Minhocas Humanas

Invejando os pássaros
Invejando as estrelas
Querendo fazer
De seus corpos
Roliços piriquitos

Bem, minhocas teimosas
De tanto terem
Seus corpos partidos
Por milhões de anos
Nasceu um fugitivo

Com murchas asas negras
E um rabo
Deixou a terra e foi
Ao desconhecido

Deslizou pelos céus alegre
Por toda sua espécie

Porém um dia
Foi engolido, o bicho
Por um pássaro faminto
E no estômago percebeu
De que adianta voar e
Ficar mais próximo do inimigo?
Se no fim voltará à terra
Cagado na merde verde-esbranquiçada
D'um pássaro fodido.

Música de Sophia

Com um desejo acordamos o intento da sabedoria
Com um intento desejamos a sabedoria do despertar
Desperto
Desejante
Intentona

10 de novembro de 2007

Espiral do Eterno Retorno

Eu

Não sei

Para onde

Ir sem ter o quê

Fazer e sentir de cada

Momento fluido que foge e escorre e

Nada passa nem fica a

Marca de onde

Passei e

Vim não

Sei

25 de outubro de 2007

Sobre Emoções e Paixões

Per affectum intelligo corporis affectiones, quibus ipsius corporis agendi potentia augetur vel minuitur, iuvatur vel coercetur, et simul harum affectionum ideas

Enfermidade do espírito
: sujeito que está submetido a emoções e paixões, pois ambas excluem o domínio da razão.

Emoção: sentimento de prazer e desprazer no estado presente que não deixa a reflexão aflorar no sujeito [a representação da razão, se deve entregar ou resistir a ele], animus sui compos, é leal e aberta, e pode ser vista como uma bebedeira que se cura dormindo. Aquele que ama pode enxergar. O que constitui um estado de afecção, em geral, não é a intensidade de certo sentimento, e sim a falta de reflexão para se comparar esse sentimento com a soma de todos os sentimentos [de prazer ou desprazer] em seu estado. A emoção em geral é um acidente patológico [sintoma]; ela pode [por analogia como sistema Brown] ser divida em estênica, se ela é forte e exercita a força vital, e astênica, se ela é fraca, a emoção se detém, mas quando surge uma nova ameaça se restabelece.

Paixão: inclinação que a razão do sujeito pode dificilmente dominar, ou não pode dominar de modo algum, é insidiosa e encoberta, e funciona como uma loucura [delírio] que cisma com uma representação que se enraíza cada vez mais profundamente. O apaixonado é cego, com relação às falhas do objeto amado, mesmo que costume recuperar a visão depois de oito dias de casamento. A paixão é uma prisão que ninguém almeja.

24 de setembro de 2007

E

Posso tudo que quero
E quero tudo que penso
E penso tudo que posso
E sofro tudo que vivo
E doi tudo que penso
E vivo tudo que posso
E amo a loucura
E faço o que quero
E quero o que doi
E sendo a diferença
E tudo louco se apresenta
E peço
E nego
E rezo
E confesso que sempre quis
E quero aquilo que está além de mim
E não peso as palavras nem me peso
E fluido vivo o momento
E esperto espero desperto.

19 de agosto de 2007

Amendoin em palavras

Em minha
Prórpia terra
Deslocado,
Desolado,
Desumano

Intensidades
Atravessam minha
Alma estrangeira
Alma passageira
Sem beira

Nao tenho fronteiras
Nem a morte me para
a Alma

Fora e nada
Fujo e nada
Mudo e nada

10 de agosto de 2007

Pé-sujo

Cada bar um mundo
Cada bar a procurar
Cigarros
Putas
Um som
Um ar
Familiar

Cada lugar denovo
Toda rua, retorno
Entorno

Me perco
No mesmo

21 de junho de 2007

sonhos satânicos

Sonhos satânicos invadem minha alma
no sono desavisado
de meu corpo despido
dele próprio
sem propriedade,
não o possuo.

Sou imaterial pois sou denso no real.
A realidade de meus sonhos nus
é necessária devido ao peso,
ao fardo deste mundo a mim forçado,
sou alienado,
sou alien,
sou louco
para os doutos e
são para os verdadeiramente loucos.

Escrever torna-se pequeno diante do sonhar!
Arte de sonhar,
a primazia da vontade,
potencialidade nômade,
pura potência que se move intuitivamente,
o pensar-ato,
a alma,
chame como quiser,
lá sinto-me completo
ultrapasso paredes,
vôo na chuva,
visito Satã,
trepo de boca fechada,
não me sinto,
não existo.

sou meu olhar,
o exterior,
sou lá
e minha vontade
com lá se mescla
sou o todo move-ente.

As palavras atrapalham minha completude,
me enganam, pois elas
já não mais são puras,
já não mais são mágicas,
já não mais são mundos,
são só palavras,
mudo no mundo emudeço
e nada mudo
e move-se o mundo
e eu movo os sonhos que tenho?
Ou chamado pelo cansaço dele,
me torno,
me transformo.

Vendo deste mundo material,
ironico,
catatônico,
catanoico
catalisador de entidades etérias
que me comandam como fantoches,
fetiches.

De seres maiores que nós,
transcendentes à nós,
ao nossos olhos me vejo,
retorno toda noite ao mundo,
por quê não lá continuo?

Que desejo, que
medo de acordar,
medo de dormir,
adoro o medo
e pra ele me-dôo mudo,
do jeito que for.

Mas sempre acabo voltando.

17 de maio de 2007

yellow submarine

In the town where I was born,
Lived a man who sailed to sea,
And he told us of his life,
In the land of submarines,

So we sailed up to the sun,
Till we found a sea of green,
And we lived beneath the waves,
In our yellow submarine,

We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,
We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,

And our friends are all aboard,
Many more of them live next door,
And the band begins to play.

We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,
We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,

As we live a life of ease,
Everyone of us is all we need
Sky of blue and sea of green
In our yellow submarine

We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,
We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine,

We all live in a yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine.

16 de maio de 2007

tempo - começo pelo meio

... a mesma hora pesada,
passadas largas
destas pessoas que passam
e não param,
passos de fim de mundo.

O tempo se encontra
em todas as coisas extensas,
na cerveja que se esvazia,
no cigarro em sua metamorfose,
no copo,
no corpo moribundo,
no céu ao entardecer,
no ser?,
no mundo,
no meu desejo que cresce.


***
As dunas se movem,
faz frio,
calor,
sofre.

nessa transfiguração antropofágica
do ser que se quer ente
ontológico,
homológico,
holográfico,
ralo,
falo,
raso,
cheio de si,
cheio de nada,
cheiro.

13 de abril de 2007

Le Possédé

Le soleil s'est crépe. Comme lui,
Ô Lune de ma vie! emmitoufle-toi d'ombre;
Dors ou fume à ton gré; sois muette, sois sombre,
Et plonge tout entière au gouffre de l'Ennui

Je t'aime ansi! Pourtant, si tu veux aujourd'hui,
Comme un astre éclipsé qui sort de la pénombre,
Te pavaner aux lieux que la Folie encombre,
C'est bien! Chermant poignard, jaillis de ton étui!

Allume ta prunalle à la flamme des lustres!
Allume de désir dans les regards des rustres!
Tout de toi m'est plaisir, morbide ou pétulant;

Sois ce que tu voudras, nuit noire, rouge aurore;
Il n'est pas une fibre en tout mon corps tremblant
Qui ne crie: Ô mon cher Belzébuth, je t'adore!

25 de março de 2007



"De toda política só intendo uma coisa: a revolta"
"Digo 'viva a revolução!' como diria 'viva a destruição! viva a expiação! viva o castigo! viva a morte!'. Seria feliz não só como vítima; tampouco me desagradaria representar um carrasco, a fim de sentir os dois lados da revolução! Todos temos no sangue o espírito republicano assim como a sífilis nos ossos; estamos infectados de democracia e de sífilis"

Nicolas Poussin - Apollo & Dafne

artemísia gentileschi

20 de março de 2007

Moral de Baudelaire.


Mas o dia seguinte! O terrível dia seguinte! Todos os órgãos distraídos, cansados, os nervos relaxados, a palpitante vontade de chorar, a impossibilidade de se dedicar a um trabalho contínuo, ensinam-lhe cruelmente que você brincou de uma brincadeira proibida. A hedionda natureza, despida da sua iluminação da véspera, parece melancólicos restos de uma festa. A vontade, a mais preciosa de todas as faculdades, é atacada principalmente. Dizem, e é quase verdade, que esta substância não causa nenhum mal físico, nenhum mal grave pelo menos. Mas acaso podemos afirmar um homem incapaz de ação e bom somente para os sonhos está de fato bem, ainda que todos os seus membros estejam em bom estado? Ora, nós conhecemos o bastante a natureza humana para saber que um homem capaz de obter instantaneamente, com uma colher de geléia, todos os bens do céu e da terra, nunca ganhará a milésima parte mediante o trabalho. Pode-se imaginar um Estado em que todos os cidadãos se embriagariam de haxixe? (...) É fácil perceber a relação que existe entre as criações satânicas dos poetas e as criaturas vivas que se entregaram aos excitantes. O homem quis ser Deus e, em virtude de uma lei moral incontrolável, cai bem mais baixo que a sua natureza real. É uma alma que se vende a varejo.

esquiz(o)

skhizõ ´separar, dividir, fender´


esquizofrenia '(psiq.) termo geral que designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a uma existência de uma dissociação da acção e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada, como delírios persecutores, alucinações, esp. auditivas, labilidade afetiva. e. catatônica - a que se acompanha de problemas motores marcados, associados a sintomas de delírio como imobilidade motora ou actividade motora intensa, negativismo, mutismo, escolalia e/ou ecopraxia. e. paranoide - a que se acompanha de sintomas de delírio e grandeza ou de persecução e alucinações , sem perturbações duradouras da afectividade nem das funções intelectuais.'


psicopatia ' distúrbio mental grave em que o enfermo apresenta comportamentos anti-sociais e amorais sem demonstração de arrependimento ou remorso, incapacidade para amar e se relacionar com laços afectivos profundos, egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência.'


psicose 'transtorno mental caracterizado por desintegração da personalidade, conflito com a realidade, alucinações, ilusões. Psicose maníaco-depressiva - problema mental marcado por grande oscilação emocional, alternando fazes de mania (em que há excitação, fuga de ideias, hiperatividade) com fases de depressão (sentimentos de inadequação, retardamento de ideias e movimentos, ansiedade, tristeza, e as vezes ideias suicidas)


paranóia 'termo introduzido na psiquiatria para designar os problemas psíquicos que tomam a forma de um delírio sistematizado. [A paranóia engloba sobretudo as formas crônicas de delírios de relação, ciúmes e perseguição e a chamada esquizofrenia paranóide] #etimologia; paranóia 'turvamento da razão, loucura, problema geral do espírito ou da razão'


neurose '1 MED problema do sistema nervoso que não tem causas demostráveis; 2 PSIC pertubação funcional que refere a orgãos intactos, considerada como de origem nervosa; 3 PSIC conjunto de problemas de origem psíquica que, diferentemente da psicose, conservam a referência à realidade, ligam-se a situações circunscritas e geram perturbações sensoriais, motoras, emocionais e/ou vegetativas, psiconeurose; 4 PSICN afecção de origem psíquica em que os sintomas expressam simbolicamente um conflito originado na infância do indivíduo, e que cria soluções de compromisso entre o desejo e as defesas; n. atual 'aqula cuja a origem se encontra no presente'; n. de angustia 'caracterizada por estados de angustia intesa, excitação somatica violenta com flutuação entre sintomas psíquicos e somáticos, e tendências incoercíveis à fuga, ao afastamento e não raro tb à aceitação resignada'; n. obsessivo-compulsiva 'se caracteriza por pensamentos e representações que sobrevêm de forma repetitiva e compulsiva (às vezes associada a ideia de perseguição) ou por impulsos e atos compulsivos.'; n. traumática 'a que é consecutiva a um trauma somático ou psíquico, cujos sintomas apresentam de maneira direta ou indireta (simbólica) o acontecimento traumático'.


obsessão 1 'suposta apresentação repetida do demônio ao espírito' 2 'que ou aquele que sofre de obsessão ou neurose obsessiva'.

compulsão 1 'imposição interna irresistível que leva o indivíduo a realizar determinado ato ou a comportar-se de determinada maneira'; c. à repetição 'processo inconsciente pelo qual o indivíduo repete incoercívelmente determinado tipo de comportamento, a despeito de seus resultados'.


euforia 1 PSICOP. estado caracterizado por alegria, despreocupação, otimismo e bem estar físico, mas que não corresponde nem às condições de vida, nem ao estado físico objetivo; 2 PSICOP. sintoma comum a várias patologias e também a algumas intoxicações [álcool, drogas], que se explica para explicar a dependência; 3 por ex-tenso: entusiasmo, alegria exagerada e geração repentina; exaltação. Etimologia grega: euf- capacidade; phòrios – tolerar, suportar.


eufemismo
1 LING. palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável, mais grosseira ou menos tabuística; fortinho por gordo; ‘coisa ruim’ por Belzeboo; carambolas para a interjunção caralho e bolas; dar o último suspiro por morrer; toalete por mictório. Etimologia grega: euphêmismòs ‘id’. Antagônico à disfemismos.

Em Tardes Assim...

Em tardes assim
aonde o silêncio se mistura
ao cotidiano
Te encontro andando dentro de mim
Se a barulhenta vida me impede os teus passos escutar
São em silêncios assim
que te descubro vivo
desafiando minha resistência
Surpreende-me ainda tua presença

Já tecia o tempo com os fios da tua ausência
Reescrevendo em lembranças vagas
a nossa história, o nosso descobrimento

Em tardes assim
onde o silêncio cala fundo
olhando absorta em pensamentos
Noto
que em mim,
ainda ficaram de ti, resquícios
Fecho os olhos e me vêem os sentidos
apurados na escuridão do enleio
E sinto o calor das tuas mãos
ao pousares sobre o desavisado seio
Na face o rubor de menina
Nos lábios a procura faminta
de mulher
Cravo os dentes na boca
e sinto sangue e saliva
Último meio desesperado
de retorno à vida...

O Poste

Eu olhava! Tenho certeza que estava ali. Aquela chuva fina fria de outono invadiu-me com força, e olhava, mas não a via. Misteriosamente em forma de luz, dessas luzes amarelo alaranjadas que dos postes antigos emanam melancolia, mofo. Tamanha era a morbidez, daquele não-fazer luminoso que dava para segurá-lo como uma peça de antiquário. Por essa chuva trapezoidal eu envelhecia, de tal modo que o corpo para, e imóvel contempla a cisão entre si e a luz do poste. O abismo entre sensação e sentido. Pergunto-me: onde está esta chuva que não me toca, Onde estou que não a sinto, talvez rumo ao fundo... Sugado no asfalto a massa volta ao seu estado original, sou denso, e gradualmente as gotas vêm ou sou eu indo, até inundar, até afogar, até afundar. E foi do começo abismal que ascenderam essas palavras.

17 de março de 2007

8 de março de 2007

te conheço?

Te conheço d'algum lugar,
Não precisa nem falar.

Você estava em meu sonhar,
Em minhas canções de ninar.

Agora só consigo te olhar,
Por entre esse mar.

Tenho coragem de te amar,
Mas me falta para te beijar.

5 de março de 2007

sem título

Somos nossa realidade
Multidão de intensidades
Flutuantes no horizonte da vida
Coalescente ao tempo vertical
No abismo do ser
Na vagina do caos!

sofro

Escuto as lágirmas
Como gotas de orvalho
Caindo...
No infinito vazio da alma
Ressoando no corpo
Sopro...
Sofro...
Não há calma
Só o ritmo das gotas
Regendo minha existência

papova

Poto uno tarezo moentro a quenela sofoço dones
E catcho papova najarê quelanto masso do chofu
rê zio!

sem título

Acho que ...
Finalmente sinto ...
O problema real ...
Seria ... ou é ...
Acabar...com o problema ...
Real?

13 de fevereiro de 2007

um quarto

Enterrado naquele quarto
Escuro, tudo é sombra
Afundado no tempo
Cada ano novo é o mesmo ano denovo
Toda palavra já foi dita
Movimentos repetidos
Do ser que nao se quer passado
Déjà vu ato

A cabeça pende pros lados
O mundo se desequilibra
O quarto...
Gira

Como são belas as flores
que habitam os jardins
de dentro de minha cabeça
A sua beleza está em mim
Terrível outono que não passa...

Patético

O que é visto
é a relação
entre um mundo
e um eu.

Ao final
somos uma epiderme
Senciente, nem ser
nem mundo
Um verme
Um furo que vê

Relações, disturbios
Do fluxo estático...
Estético...
Vivo...
Páthico.

Patético!

11 de fevereiro de 2007

amanhã

Amanhã
Retornando do abismo profundo
D´alma rota
Produtora d´um nada-corpo

Vagabundo que teme o medo
e a alegria

Redescobrindo-se depois da morte
Depois do suicidio

Conhece a vida e a morte
Conhece agora o medo e a alegria

Caminha em direção do que foi e serás
Sendo emoções descontroladas

Sabe o que é, o que pergunta
e sabe quais respostas quer pra ti

Amanhã pode ser...o instante que
agora é

Amanha é sempre perfeito hoje
é sempre novo hoje

Mas pode ser hoje denovo
Não!

Hoje amanhã é vazio
Mas sinto aroma de mudança

Pre-sinto transformar-me
pacientemente espero que amanhã se revele

Sem expectativa não temo nada
Sem expectativa alegremente espero.

morte

DOR, e não poder se libertar da vida!
MORTE sem ar!
QUERER a dor, deixa-me vivo!
MORRER; a vida mata-me!

Valho

Ao escrever nesta pag.

Desvaloriza-se
o papel,
o lápis.

Elas valeriam mais
virgens.

Entre todos nós
Não acrescenta-se nada;
Nada vale mais que si mesmo
e para si mesmo.

De nada mais vale
Valerem as coisas.

Despossuido

Destituido de sentido
Minha roupa se desfaz lentamente;
Como se ela jamais tivesse existido.

O corpo adormece
e vai indo com o vento;
Nada faz mais sentido,
estar aqui,
estar lá,
eu já não estou mais em mim.

ent(ão)

Um entre mil
e mais um
foi-me dado o ente em pessoa
dai-me denovo
a gota esvai-se no tempo
temprágora
pre-sente

Buzios

Há sempre algo a mais
nas paisagens de sonhos
Longinqüos.

Nos horizontes infinitos
das paisagens da alma;
Estamos à espreita de
movimentos.

Como uma gaivota que
luta rente ao mar.
Torna-se vento
numa sincronia ritmica,
esférica.

Então ela desaparece
revelando uma paisagem
além do meu olhar.

O mar também
faz-se vento.
Bate frenético neste pier à tempo
então para, deixe os passaros
falarem por tudo o que se move.

A chuva está vindo
dizem os pássaros.
E o Sol com sua potência
resiste, banhando esta folha
diz: Estou vivo!

Que coisas mil
aquela cidade ao longe,
além desta baia
me esconde?

O vento sabe;
Recolho mensagens
Que sinto através de
todos os meus sentidos.

Aparece uma regata no horizonte
e percebo não a regata
mas o ela estar se movendo.

Paro, penso
Sinto, escrevo
E vou escrevendo
até a proxima parada.

Paisagens mutantes
de sonhos da alma
ausente, presente
nestes rabiscos.

ela

Ela em mim,
eu nela.

Ela assim,
tão bela.

Ela enfim,
eu dela.

10 de fevereiro de 2007

saliva

Olhar fixo
Mãos inquietas
Boca
Saliva
Reta!